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A DIFÍCIL ARTE DE VIVER EM CONDOMÍNIO

Cachorro, criança, cano, carro e cobertura. Os cinco “cês” resumem bem as principais causas de conflitos que há anos dificultam a convivência entre moradores de prédios

Morar cercado de conforto e segurança é o sonho de boa parte dos paulistanos. Não à toa, um em cada três habitantes vive em condomínios. Vizinhos mal-educados, crianças barulhentas e síndicos oportunistas, porém, podem fazer da experiência um pesadelo. Até pouco tempo atrás, os atritos eram arbitrados por zeladores e síndicos na base da conversa. Hoje não é mais assim. 

Parte considerável dos conflitos só é resolvida na presença de advogados e juízes. Levantamento realizado pelo advogado Marcio Rachkorsky, que assessora 500 condomínios da capital, mostra que o número de brigas judiciais entre moradores de conjuntos residenciais de São Paulo dobrou nos últimos cinco anos. De acordo com a pesquisa, um terço dos 20 000 condomínios da cidade convive com algum tipo de disputa judicial entre seus habitantes. Metade dos casos termina em conciliação. “Felizmente, alguns clientes se dão conta de que entrar em acordo é menos desgastante que seguir para os tribunais”, diz Rachkorsky.
 

Para ajudar a contornar disputas desse tipo, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) inaugurou em 2006 uma câmara de mediação.
 

Funciona como uma terapia: diante de um psicólogo ou de um advogado, vizinhos briguentos expõem suas queixas e tentam se entender sem recorrer ao Judiciário. Cada sessão, de uma hora, custa 100 reais. Das 94 brigas de condôminos que a entidade tentou conciliar, 88 foram solucionadas, geralmente em apenas um encontro. “A maioria das desavenças nasce de bobagens como o uso de secador de cabelo durante a madrugada e poderia ser evitada se os envolvidos se dispusessem a conversar”, afirma Márcio Chéde, o coordenador da câmara de mediação. Nestas e nas páginas a seguir, histórias de paulistanos que protagonizaram ou testemunharam verdadeiras guerras em conjuntos residenciais da capital. Com um pouco mais de diálogo, o desfecho de todas elas poderia ter sido diferente.
 

O inferno na porta ao lado 

Conheça os principais motivos de briga em condomínios paulistanos:


- Festas barulhentas nos fins de semana e após as 22 horas 40%
 
- Carros mal estacionados e parados em vagas destinadas a visitantes 25%
 
- Cães circulando em áreas coletivas do condomínio e latindo durante a madrugada 15%
 
- Vazamentos e infiltrações: 10%
 
- Bitucas jogadas pela janela e uso comercial do imóvel: 10%


Autor: Por Daniel Salles
Fonte:
VEJA SP - Edição 2162 - 28/4/2010

 

 
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