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COMÉRCIO DO SEXO
Autor: Andrea Mattos

Constrangimentos a parte, o comércio do sexo já é uma realidade em muitos condomínios em todo Brasil. E não é um problema simples e nem fácil de resolver. Ficar alerta a movimentação estranha e solicitar ajuda policial podem evitar situações desagradáveis no futuro.

O assunto é muito constrangedor, mas, infelizmente, real: a prostituição invade condomínios em todo Brasil, sejam residenciais, comerciais ou mistos. Moradores, famílias e profissionais às vezes nem se dão conta que dividem o mesmo espaço com mulheres e homens que vivem de um negócio que ganha cada vez mais espaço nas grandes cidades: o mercado do sexo. Em sigilo, estes condôminos alugam apartamentos em edifícios de aparência insuspeita para atender os clientes, que são atraídos por meio de panfletos e anúncios em jornais. Nos prédios mistos ou comerciais, a atividade é camuflada por comércios de fachada.

O que aparenta ser uma casa de massagem, na verdade pode ser um local de prostituição. Espaços de edifícios comerciais estão sendo transformados em quitinetes, onde homens e mulheres terem encontros.

As convenções de condomínio proíbem qualquer atividade ilícita, porém a maioria dos síndicos não sabe como lidar com o assunto. A Associação Paranaense dos Administradores de Condomínio (Apac), que atende 800 edifícios em Curitiba, constata o aumento desse tipo de caso e, mesmo assim, tem recebido poucas reclamações. Em geral, o problema só é revelado quando está em estado crônico. A grande oferta de imóveis para locação no centro de Curitiba contribuiu para diversificar os negócios do sexo.

Condomínios residenciais
De forma mais discreta, garotas e garotos de programa estão atendendo também em condomínios residenciais, sem o conhecimento dos vizinhos. Casos assim ocorrem com mais frequência em prédios antigos, com pouca ou nenhuma estrutura de segurança. Os anúncios publicados em jornais informam com destaque que não há serviço de portaria, o que deixa o cliente menos constrangido. Tanto homens como mulheres envolvidos com prostituição o preferem alugar apartamentos porque é mais seguro, além de não precisarem se deslocar para um motel. Alguns deles (e delas) moram no próprio local e são vistos, a princípio, como moradores com o mesmo padrão que os demais. Mas para isso acontecer, toda discrição é pouca: o número do apartamento é fornecido quando o cliente está preste a chegar, pois temem que ele o esqueça e bata na porta errada, de alguma família.

Na opinião de Herbert Moreira, da Apac, na maioria dos casos está nas mãos dos síndicos a redução ou eliminação da prostituição em condomínios. Os hábitos de moradores e frequentadores podem denunciar algum tipo de atividade ilícita. Como não pode restringir o acesso ao prédio, o síndico deve ficar atento e redobrar a atenção à chegada de cada novo morador ou empresa.

Sem encontrar resistência, a prostituição se infiltrou em condomínios de classe média de alguns bairros do Rio de Janeiro, onde garotas de programa e agenciadores fazem negócios sem ser importunados. A polícia admite que combater o problema dentro dos conjuntos residenciais é mais complicado do que nas ruas da cidade, e pede a colaboração da sociedade. Os síndicos e porteiros dos condomínios devem fazer contato com a polícia, para que estes grupos sejam desmantelados e eles possam prevenir os moradores com relação a essa situação constrangedora. Já há grupos de até dez meninas dividindo apartamentos para atender clientes, afirmam autoridades policiais no Rio de Janeiro, que orientam os síndicos a ficar atenta a movimentação e principalmente à noite, pois a vigilância é menor - em unidades sublocadas.

Certamente, o comércio do sexo está presente em condomínios de todas as grandes cidades brasileiras. E, se algo não for feito logo, a situação só tenderá a aumentar, trazendo vários problemas para os demais moradores, desde insegurança até desvalorização do patrimônio comum. Seja qual for o caso, a ajuda de agentes policiais é imprescindível e o síndico precisa agir com total amparo legal.

Jornalista colaboradora do Jornal do Síndico e da Folha do Síndico
Fonte: Folha do Síndico (www.folhadosindico.com.br)

 
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