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Convivência nos condomínios

COMO AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO E SEDIMENTAR A PAZ ENTRE OS MORADORES 

Em 1912, foi inaugurado o Edifício Casa Médici, considerado um dos primeiros edifícios residenciais em São Paulo, localizado na esquina da Rua Libero Badaró com a Ladeira Dr. Falcão Filho. Mas embora viver em condomínios não seja algo tão recente, esse tempo não foi suficiente para que a maioria das pessoas assimilasse ou criasse um modo adequado de viver em condomínio. Essa necessidade é crescente, hoje em São Paulo são mais de 4,5 milhões de pessoas vivendo em condomínio.

Para auxiliar no seu ordenamento, foi necessária a criação de normas que disciplinassem tanto a administração como o convívio entre os moradores. Em 1916, entrou em vigor o Código Civil, que, em seu Capítulo IV, estipulou os direitos e deveres dos condomínios e a forma de administração. Devido ao aumento constante na construção de edifícios tornou-se necessária a criação de uma lei específica para a área, a Lei 4.591/1964, depois parcialmente revogada pelo Código Civil de 2002.

Cada condomínio possui diferentes características, em função dos seus membros possuírem faixas etárias e culturas diversas. Conciliar a diversidade de expectativas e comportamentos constitui um dos grandes desafios dos administradores. Para que haja um melhor convívio é necessário que os moradores e os administradores (síndicos, subsíndicos, conselheiros e empresas administradoras) reconheçam a importância de cumprir a Convenção e o Regulamento Interno. Outro ponto fundamental é a descentralização do poder, ou seja, dividir realmente as responsabilidades entre todos os membros do conselho, empresa administradora e moradores.

O conselho poderá se tornar mais atuante quando formalizar a atividade que cada um irá desenvolver e, também, definir todas as datas das reuniões, logo depois da eleição. É conveniente que o síndico, uma semana antes de cada reunião, lembre o corpo direito do compromisso, por meio de e-mail. Toda reunião deverá ter uma lista de presença e os nomes dos participantes mencionados em ata. As decisões que não necessitem ser levadas à assembleia deverão ser adotadas em conjunto, dividindo a responsabilidade entre o grupo. Quando surgirem impasses de opiniões, o assunto também deverá ser colocado em assembleia.

Para aumentar a participação dos moradores na vida condominial, principalmente nas assembleias, algumas ações poderão ser adotadas pelos gestores, entre elas:

• Criar várias formas de comunicação, evitando informações desencontradas e conflituosas. Entre elas: a) estabelecer um horário de atendimento direto ao morador; b) disponibilizar um e-mail para contato com eles; c) distribuir circulares antecipando os fatos ou alertando sobre cuidados que deverão ser adotados; d) criar um jornal mensal que possua a participação de uma comissão de moradores, entre eles, por exemplo, os adolescentes; e) possuir uma caixa de sugestões e críticas instalada em local adequado, para que o morador tenha liberdade de colocar suas observações, até mesmo sem a necessidade de se identificar;

• Organizar as assembleias como se fosse uma empresa. Os gestores deverão preocupar-se, entre outros, com: a) as condições do local (ventilação, iluminação e distribuição das cadeiras); b) a integração dos novos moradores; c) o incentivo ao debate respeitoso, eliminando discussões subjetivas e acaloradas; d) a distribuição antecipada, junto com a convocação, de um resumo das informações que serão abordadas, inclusive dos orçamentos; e, e) a coleta das opiniões por meio do voto secreto, evitando o conflito de ideias;

• Realizar constantemente pesquisa de opinião com os moradores para estabelecer os objetivos da administração, atendendo assim a maioria das expectativas e obtendo maior certeza de sucesso. Entre os temas estão: avaliação do desempenho dos funcionários e administradores; obras prioritárias; data e horário para as assembleias. O resultado das pesquisas deverá ser distribuído aos moradores, demonstrando a importância da participação;

• Permitir que moradores indiquem empresas para participarem da licitação de obras, desde que atendam ao memorial descritivo;

• Buscar transparência, facilitando o acesso a toda documentação do condomínio. O aumento da participação e satisfação dos moradores imputará ao cargo de síndico maior leveza e segurança, que poderá possibilitar a outros moradores, embasados nessa forma de administrar, coragem para se candidatarem às próximas eleições.

O novo código civil e o condomínio
Comece participando das assembléias. Em vez de apenas reclamar que elas são pouco objetivas; vá e dê sua opinião. Ela pode ser útil para ajudar a resolver algum problema do condomínio;

Morar em condomínio pressupõe vida em comum. É fundamental aceitar certas medidas - desde que elas sejam em benefício da maioria. Procure ter calma para resolver os problemas do dia-a-dia. Com ponderação é mais fácil ser ouvido e alcançar seus objetivos;

Não danifique os bens do condomínio. Sirva de exemplo para seus filhos. Ensine-os a cuidar do playground, a não arrancar flores do jardim, a não brincar com o elevador. Cuide das áreas comuns como você cuida da sua casa.

Lembre-se de que o dinheiro gasto para consertar o que foi estragado também sai do seu bolso;

Trate com respeito os funcionários do edifício. Se você não está satisfeito com o trabalho de algum deles, dê sua opinião ao síndico. Não peça favores pessoais, nem exija que eles tomem atitudes contrárias às normas do regulamento interno do condomínio;

Não modifique nenhuma parte externa do seu apartamento sem aprovação da Assembléia (por exemplo, pintar as faces externas das portas de entrada, fechar o terraço com vidro ou colocar ar condicionado);

Embale bem o seu lixo antes de jogá-lo no latão. Evite que caixas ou volumes muito grandes impeçam a passagem da escada;

Jamais cuspa ou atire pontas de cigarro ou outros objetos pela janela. E se fosse você ou seu filho que estivesse lá embaixo?;

Não seja o dono da verdade. Respeite as normas de convivência do condomínio. Se você vai levar o cachorro para passear, use o elevador de serviço. Se pegou a chave da sala de ginástica, na portaria, devolva-a assim que acabar seus exercícios. Pequenas ações só contribuem para o bem-estar e o bom funcionamento do prédio.

Convivência: Boas maneiras: comportamento, normas e multas
Usar o hall social como área de lazer, pode? Não pode. Estacionar o carro ultrapassando os limites da vaga, pode? Não pode. Fazer barulho além das 22 horas, incomodando o vizinho, pode? Não pode. Deixar o cachorro fazer suas necessidades no jardim do condomínio, pode? Não pode.
Viver em condomínio não é fácil. Há uma lista extensa de deveres para os condôminos que muitas vezes nada mais são do que o exercício da boa educação. Quando estão dentro de casa, as pessoas costumam jogar papel ou bituca do cigarro no chão? Certamente não. O mesmo vale para as áreas comuns do prédio. Mas, o dia a dia dos síndicos e as principais queixas com as quais lidam têm mostrado que, infelizmente, boas maneiras não são regra na sociedade atual.

O resultado são brigas intermináveis e discussões entre vizinhos, ou aquelas envolvendo condôminos e o condomínio. Para o síndico, é primordial saber como e quando interferir. Flávio Ricciardi, síndico do condomínio Essenciale Vila Mariana, situado na zona Sul de São Paulo, não acredita em multas como forma de solucionar problemas. “O síndico não pode criar regras, tampouco fazer o prédio enriquecer com multas. Não é nossa função. Acredito que deve sempre prevalecer o bom senso, e para conviver todos precisam ceder um pouco. Se meu vizinho dá uma festa vez ou outra, temos que ser um pouco tolerantes”, acredita.

Antes do Essenciale, Flávio já fora síndico em outro condomínio durante nove anos e sabe que algumas vezes as reclamações são infundadas. Mas ele reconhece que é difícil para o síndico não se envolver com questões entre vizinhos. No condomínio atual, ele mesmo já chegou a reunir dois moradores que vivem às turras: o de baixo reclama do barulho excessivo fora do horário permitido, causado no apartamento de cima. “Não quero tomar partido de nenhum dos dois moradores. Pedi à condômina de cima que cooperasse, baixando o som da TV e tirando o sapato de salto durante a noite. Ela já foi inclusive multada pela administração anterior, mas admiti ao reclamante que o problema não iria acabar. Não acredito que apenas multas resolvam questões como essas.”

PLANTÕES DE ATENDIMENTO
Para Flávio, uma boa conversa, se possível intermediada por serviços profissionais de conciliação, é o procedimento mais indicado. Ele pondera que o papel do síndico é ouvir as queixas. Mas, recém-eleito, tomou algumas providências para que os problemas não invadam demais sua privacidade: “Criei um email do prédio e uma caixa de sugestões para conhecer os problemas. E marquei um horário às quartas-feiras à noite para atender aos condôminos no salão de festas.

Os moradores devem entender que não se resolve problema de barulho, por exemplo, interfonando para o apartamento do síndico durante a madrugada.” A psicóloga Silvia Bedran concorda com o síndico Flávio: ouvir é importante, mas sem a pretensão de que os moradores irão mudar seu jeito de ser. “É muito difícil mudar os comportamentos das pessoas, especialmente quando adultas. Às vezes com terapia isso é possível. As atitudes que temos em sociedade são resultado de um conjunto de influências, como comportamentais, da família, da própria índole, da convivência.” Especialmente em condomínios muito grandes, Silvia acredita que oferecer um plantão de um profissional da Psicologia pode ser uma saída interessante. “Um síndico não tem tempo e nem sempre habilidade ou compreensão de todos os problemas psicológicos que uma pessoa pode apresentar.

Quando se tratam de questões emocionais, realmente um psicólogo pode aliviar o trabalho do síndico.” Mas, a que se devem tantos problemas envolvendo relacionamentos entre as pessoas nos condomínios? Para a psicóloga, tudo é resultado do estresse da vida atual. “Mas também há questões internas envolvidas, mais profundas. Muitas pessoas estão hoje mais carentes. Geralmente pessoas que se cuidam melhor, seja em relação à alimentação e saúde, e ainda com uma família bem estruturada, têm menos problemas envolvendo comportamentos inadequados. Quem tem problemas com o sono, por exemplo, terá uma irritabilidade anormal durante o dia. Esse é um problema orgânico, que fatalmente mudará o comportamento pela falta de repouso.”

PELA INTEGRAÇÃO
Investir na convivência mais próxima entre os moradores é uma grande saída para diminuir os conflitos. Na opinião da advogada Ana Luiza Pretel, especialista em métodos alternativos de soluções de conflitos pela Escola Paulista de Magistratura, olhar para o vizinho não mais como um anônimo pode facilitar as coisas. “O síndico deve tentar que os condôminos convivam mais, indo além das assembleias. Por que não organizar festa junina e outras comemorações ou um culto ecumênico? O que se deve pedir aos condôminos é que priorizem o bom senso na convivência, e não que simplesmente atendam os regulamentos internos. A postura do morador deve mudar: muitos se veem como donos da piscina, da churrasqueira, da garagem. Ele não nota que é dono apenas de um pedapedacinho”, constata Ana.

Enxergar o vizinho nos moldes antigos, como aquele que te socorre em uma emergência, deve ser o caminho. “Antes de advertir, de multar ou de encaminhar o caso a um advogado, oriento os síndicos a conversarem. Um vizinho pode entender que o outro não está fazendo barulho simplesmente para incomodá-lo. Se a moradora lava o banheiro às 22h30, porque só chega em casa do trabalho nesse horário, e isso incomoda os ocupantes do apartamento debaixo, porque não dar a ela alternativas? Será que ela não pode fazer uma limpeza mais rápida e lavar o banheiro no sábado ou domingo durante o dia?”

O síndico deve sentir se é possível chegar a um acordo, avalia a advogada. Se a situação for mais tensa, ou ele preferir não intermediar a conversa entre os vizinhos, é fundamental contar com pessoas capacitadas em mediação para auxiliá-lo, orienta a advogada Ana: “Sem dúvida, hoje o momento é de toda a força à conciliação. O Conselho Nacional de Justiça, nas suas atribuições, determinou que todos os Tribunais de Justiça implantem setores extrajudiciais de conciliação e mediação. Ou seja, a Justiça brasileira terá como prioridade essas formas de resolução de conflitos, tentando diminuir o número de processos.”

Criar vínculos entre as pessoas tem sido uma boa saída adotada por alguns condomínios. “Certamente depois disso as pessoas passam a ser mais comedidas nas relações”, aposta a advogada Ana Pretel. Foi essa a iniciativa da ALBEV , associação de moradores da Serra da Cantareira que administra diversos loteamentos. São mais de 800 residências, distribuídas em 40 quilômetros de vias, e uma população estimada em cerca de 3500 pessoas.

Com uma grande extensão, os loteamentos da ALBEV têm muitas casas distantes umas das outras, gerando falta de convivência entre os vizinhos. Ao mesmo tempo, são comuns queixas em relação a lixo, entulho na calçada, carros estacionados incorretamente, barulho causado por festas nas residências etc. Moradora há sete anos em um dos loteamentos, a psicóloga Elisângela Davini resolveu contribuir com a administração, apresentando o projeto de um Centro de Convivência da Melhor Idade, “propiciando aos moradores maior qualidade de vida, e promovendo a integração social através de diversificadas atividades físicas, intelectuais e de lazer”.

Fonte: www.direcionalcondominios.com.br

 

 
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