|
matérias
Arquitetura
Casa se sustenta em penhasco sobre o Mar Mediterrâneo Imóvel na Espanha lembra uma caixa branca que parece flutuar
Joana Gontijo - Lugar Certo

Uma casa que paira no ar, acima das águas, como uma nave espacial que aterrissou na Terra, chegando de algum lugar do universo. Com esta característica, este projeto em Calpe, na costa leste Espanha, poderia ser comparado às obras de Oscar Niemeyer. As curvas tão comuns nos traços do arquiteto aqui não se aplicam, mas o imóvel também carrega a integração com as formas orgânicas do meio ambiente circundante, em contraste com as linhas retas e o branco da construção.
Com concepção do escritório Fran Silvestre Arquitectos, a casa se abre para a paisagem exuberante do Mar Mediterrâneo, equilibrando-se à beira de um penhasco. Instalada sobre a colina, a estrutura deveria seguir seu contorno natural, e ali não estaria se isso não acontecesse, mas a diferença está exatamente no aspecto que faz o imóvel parecer flutuar. “Gostamos desta qualidade da arquitetura de possibilitar construir uma casa no ar, e fazê-la caminhar sobre a água. Um solar abrupto que olha o mar, onde é melhor não fazer nada, onde o que apetece é aquietar-se”, ressaltam os autores do projeto.
Com sustentação por lajes de concreto armado, adaptando-se bem à topografia do terreno, que não foi alterado, a construção lembra mais uma caverna longínqua em meio à natureza. Destaque especial para a varanda, aberta para a imensidão azul do mar que se encontra dali. Na parte interna, o piso superior reúne as salas de estar e os quartos, onde a fachada de vidro proporciona também uma visão panorâmica do oceano. No exterior, uma escada faz a conexão entre os ambientes, acessando os dormitórios, o terraço e a piscina de borda infinita no térreo, chegando a uma região plana que se amplia em direção à paisagem.
Em relação ao acabamento e à decoração, muito branco, emprestando à residência um tom minimalista, harmonizado de forma homogênea à fachada. Os móveis fazem papel secundário, valorizando na verdade o que está do lado de fora. Dentro e fora, a morada recebe uma atmosfera cênica através da iluminação. “Aplicando o branco, enfatizamos o caráter unitário da construção”, finalizam os arquitetos.

Joana Gontijo - Lugar Certo
Dentre os vários imóveis avistados nas encostas das montanhas de Cabrils, nos arredores de Barcelona, na Espanha, uma casa se diferencia do conjunto. Lembrando as referências feitas nos antigos mapas piratas que indicavam a localização do tesouro tão desejado, a construção foi erguida na forma de uma grande letra X.Com traços arquitetônicos inusitados, a nomeada Casa X se destaca na região e atrai a atenção de curiosos.

Com projeto do escritório Cadaval e Solà-Morales, a residência amplia a proposta arquitetônica, que vai além do criativo formato e da bela paisagem para o vale. Erguida em um nível abaixo da rua, ela fica quase escondida, criando um falso isolamento que nega os vizinhos, mas, pelo outro lado, recebe bem a abundante luz natural, que valoriza ainda mais o conceito.
“A forma, uma forma única, é o resultado de um longo processo de busca de respostas para diferentes desafios de arquitetura. A Casa X é também uma exploração construtiva: uma técnica usada regularmente para obras de infraestrutura, como pontes e túneis, aqui é desenvolvida para atender a uma escala arquitetônica, com o objetivo de incorporar eficiência e redução de custos para a construção”, ressaltam os autores do projeto.
A vista para o mar e para as montanhas se abre em direções opostas do imóvel. Funcionais, os ambientes internos se dividem em dois andares. Na parte inferior, estão as áreas de convívio social e, no andar de cima, a suíte principal é agraciada para uma visão ainda mais exuberante da natureza ao redor.
Embaixo, há uma distinção clara entre as partes dianteira e traseira da casa, como explicam os arquitetos: na frente, a paisagem está totalmente aberta e pública, surgindo em qualquer uma das janelas, que destacam o pé direito duplo da sala de estar. Este cômodo está situado ao lado da sala de jantar e da cozinha, articuladas, por sua vez, em torno de uma mesa de mármore de 8 metros de comprimento; atrás, os quartos e áreas de serviço recebem também, através de pátios, as vistas para o vale, o mar e a montanha. O segundo andar, além de incorporar um estacionamento que permite acesso à casa, é concebido como uma suíte privada dos proprietários: sala principal, com cômoda e banheiro/toalete, e estúdios espaçosos.
O generoso terraço, também em X, foi criado com o aproveitamento da parte superior da morada, se tornando um ponto alto da construção. O mirante que se formou nesta plataforma permite avistar o oceano, com a segurança garantida pela aplicação dos guarda-corpos de vidro. Na garagem, muita transparência com as paredes envidraçadas que vão do chão ao teto. Instalada ainda mais para baixo da colina, a piscina é outro atrativo. Concebendo um envolvente jogo de geometria e volumetria, a residência se projeta sobre o tanque como um trampolim, o que confere um encanto adicional à proposta.

Segundo os arquitetos responsáveis pela obra, a Casa X incorpora sempre a paisagem como um ator principal. “Além do arranjo espacial eficaz na frente da casa, as vistas são protagonistas em cada espaço. Aprendendo com as reflexões de Dan Graham, a imagem do mar está sempre presente, observando-se a montanha, que aparece como um reflexo ao olhar para ele: uma qualidade perceptiva que enriquece a experiência da casa”, finalizam.


|
 |