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Garagem

É o espaço destinado para se estacionar e guardar veículos em condomínios comerciais ou residenciais, sendo que sua manutenção pode ser incluída conjuntamente a das instalações comuns. Em alguns casos, é possível alugar ou ceder a vagas. Saiba mais informações.

Garagem: A valorização do fator humano

Conforto ambiental, acessibilidade, segurança e, claro, boa solução de espaço para estacionar e manobrar os veículos são itens indispensáveis às garagens nos condomínios.

Sempre que questionada sobre porque os síndicos e condôminos devem dar mais valor às garagens dos prédios residenciais, a arquiteta Fadva Ghobar costuma ser bem objetiva: "É por ela que entra o morador!", enfatiza. Ora, isso todos sabem, certo? Mas parece que em muitos condomínios as coisas não têm funcionado de maneira coerente com essa realidade. Mesmo que seja diariamente utilizada e que uma garagem bem cuidada contribua para a valorização do imóvel, problemas como a falta de acessibilidade, de sinalização e ventilação, o mau acabamento e iluminação precária se somam à falta de espaço para estacionar e manobrar e marcam a paisagem desses espaços "esquecidos" pelos condomínios. Nesse contexto, o ambiente causa desconforto, dificulta o cotidiano dos moradores e ainda pode ser motivo de muita discussão nas assembleias, comenta a arquiteta Fadva.

Segundo Fadva Ghobar, que realiza projetos especiais para garagens dos condomínios de São Paulo há vinte anos, o conforto ambiental resulta de uma quantidade significativa de itens e intervenções, mas o básico consiste em limpeza, iluminação, pintura e eliminação ou tratamento de patologias, como infiltrações e fissuras. "A limpeza, por exemplo, garante o bem-estar visual. Já a iluminação proporciona mais percepção visual do usuário em relação ao espaço e ao ambiente", explica. "Boa parte das patologias demanda a contratação de profissionais especializados, visto que as soluções demandam técnicas elaboradas. Porém, este investimento é bastante minimizado quando comparado à recuperação – quando possível – do mesmo problema em estados mais avançados." Não raro, as garagens subterrâneas costumam ser tomadas por problemas de infiltração e acabam recebendo calhas penduradas nos tetos para a proteção dos veículos (Veja matéria sobre impermeabilização nesta edição, na página 32).

Se o síndico quiser realizar manutenções na garagem, o ideal é primeiramente contratar um profissional habilitado para avaliar de forma criteriosa as prioridades de intervenção, tudo com planejamento sistemático, para não afetar de maneira brusca a rotina dos condôminos. Fadva diz que se o local apresentar fissuras e trincas, torna-se indispensável descobrir antes as causas do processo. A partir daí, muitas vezes é possível tratá-las com polímeros ou resinas que, segundo ela, garantem excelentes resultados. Já as infiltrações podem ser causadas por problemas em tubulação, falhas, vazamento em espelhos d'água e piscinas etc.

Já no caso dos pavimentos, "de pisos esfarelados", por exemplo, "que podem estar relacionados a problemas de execução ou mesmo ao desgaste natural promovido pelo tráfego de veículos, existem soluções de baixo custo, como a proteção de resinas ou mesmo tintas específicas para essas superfícies", pontua Fadva. Esse é o caso do Condomínio Ilhas do Sul, localizado no Alto de Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo. O empreendimento, de 480 apartamentos, possui cerca de mil vagas cobertas, distribuídas em dois subsolos. As alamedas internas das garagens estão sendo revestidas com tinta epóxi e acabamento em poliuretano. "Como a área a ser recoberta é grande, este trabalho está dividido em vários exercícios orçamentários", afirma o síndico Antonio Roberto Muller.

Outro aspecto que deve ser observado nos cuidados com a garagem está relacionado ao mau uso. Muitas vezes, os síndicos agem com certa permissividade em relação à indisciplina dos condôminos, o que, segundo Fadva, representa um dos problemas mais comuns e graves observados em boa parte dos condomínios. "Lembramos que uma garagem é, por princípio, um grande quebra-cabeças, que só existe de forma eficiente quando respeitadas a ordem e a sequência das peças envolvidas (pedestres, carros, circulações etc.)", diz. Também não vale ser negligente em relação a aspectos de segurança do pedestre, especialmente quando se trata do respeito ao tráfego de bicicletas, skates e patins.

Para encerrar, a arquiteta afirma que os síndicos devem estar atentos para que a rota de fuga das escadas e as portas de emergência das garagens não sejam obstruídas pelos veículos ou carrinhos de compras. Faixas e placas de sinalização também são importantes, e apesar de não haver obrigatoriedade legal, devem ser cuidadosamente planejados, recomenda.


Garagem: como disciplinar os sorteios de vagas nos condomínios e tratar a questão dos danos

O sorteio periódico de vagas de garagem é rotina em grande parte dos condomínios, já que muitos deles são entregues com vagas indeterminadas, o que exige que administradores e síndicos promovam um rodízio de ocupação das mesmas, para que não se consolidem situações privilegiadas. Muitas vezes, alguns condôminos se sentem prejudicados por serem destinados a vagas de manobra mais difícil ou, ainda, distantes do acesso aos elevadores.

Segundo o presidente da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), Rubens Carmo Elias Filho, a garagem não representa, necessariamente, “problema nem fonte de conflito. O que gera fonte de conflito é a má gestão”, observa. “Tudo depende de organização, de regulamento”, acrescenta. Nesse sentido, Rubens Elias Filho sugere “algumas regras básicas” para o sorteio de vagas:

- “Não criar privilégios”;
- “Ser aleatório, ou seja, tratar com isonomia todo condômino, incluindo o inadimplente”;
- “Avaliar e ter bom senso na hora de distribuir as vagas. Por exemplo, separá-las por lotes, determinando-os respectivamente para moradores das torres que estejam mais próximas a eles”;
- “Se tiver idosos, evitar destinar a eles vagas de difícil acesso”;
- “Deixar as vagas da acessibilidade de fora do sorteio”; e,
- “Fazer um bom planejamento do sorteio.”

Quanto ao inadimplente, apesar de o atual Código Civil prever que este não participe da Assembleia, excluí-lo do sorteio da vaga criaria problemas quanto ao direito de uso da propriedade, avalia o presidente da Aabic. Assim, Rubens Elias Filho considera que o inadimplente deve participar dos sorteios periódicos. De outro modo, as vagas previstas para a acessibilidade deverão estar previstas e/ou ratificadas na Convenção, diz.

Danos aos veículos, furtos de objetos e bicicletas
Outra fonte constante de conflitos em condomínios costuma estar no uso das vagas de garagem com a guarda de objetos, principalmente bicicletas. Também o furto de objetos ou danos aos veículos rendem problemas. “Pelo fato de a garagem ser propriedade exclusiva, o condomínio não deve responder por objetos deixados na vaga, nem sobre danos ou furtos ao próprio veículo”, analisa Rubens Elias Filho. Segundo ele, não cabe ao condomínio a guarda da propriedade privada de cada condômino. A menos que a convenção assim o estabeleça, esclarece o presidente da Aabic.

Quanto às bicicletas e demais formas de ocupação da vaga, Rubens Elias Filho aconselha que os condomínios definam o que pode e o que não pode ser feito por meio das Convenções e/ou regimentos internos.



Preocupação com acabamento chega ao subsolo

A ideia é proporcionar um padrão de conforto e bem-estar equivalente aos halls sociais.

Na cidade do automóvel, a principal porta de acesso aos condomínios residenciais de São Paulo acontece hoje pela garagem. “99% dos moradores entram nos prédios de carro, raramente usam o hall bonito e imponente, ao contrário da garagem, que ainda permanece como a parte feia”, constata o arquiteto Celso Armando Farkuh. “Este conceito está mudando”, ressalva Celso, pois muitos edifícios já se preocupam em dar um padrão de acabamento equivalente às demais áreas comuns.

Assim, vale renovar pisos e pinturas, melhorar a iluminação e utilizar protetores de choques, além é claro de cuidar de toda a manutenção estrutural. No Condomínio Edifício Dagon, localizado no Jardim da Saúde, zona sul de São Paulo, a administração resolveu proporcionar um “ambiente agradável e bem confortável” aos moradores que chegam pela garagem. Após o conserto de um vazamento, os dois subsolos, que abrigam seis vagas por apartamento, ganharam novo piso (em epóxi) e pintura, protetores de choque, extintores e mangueiras de incêndio (atendendo às normas do Corpo de Bombeiros), boxes inpiduais, depósito, vestiários e iluminação de emergência e saída. “Ficou a coisa mais linda do mundo”, descreve o zelador José Ferreira, que há 11 anos trabalha no Dagon, edifício com moradias de alto padrão.

Segundo Celso Farkuh, as construtoras voltadas a este segmento, de médio e alto padrão, já começam a dar outro tratamento para as garagens. “Durante a construção, os subsolos são utilizados como depósitos. Por muito tempo eles permaneceram com esse aspecto de lugar inacabado, mesmo após a entrega das obras”, observa. “Mas agora há uma preocupação de transpor para essas áreas o mesmo impacto e conforto proporcionados pelo hall social”, acrescenta. Os prédios mais antigos também podem investir em uma revitalização dos estacionamentos, diz o arquiteto, a exemplo de um trabalho recentemente executado em um edifício nos Jardins. “O piso tinha pontos de deterioração.

Fizemos a recuperação pontual do concreto, através de microcimento, nivelamos e aplicamos a pintura, dando outro aspecto ao ambiente, que parece muito mais limpo.” Uma das soluções mais utilizadas é a aplicação do epóxi, afirma Celso. “É de fácil limpeza e manutenção, demanda lavagem apenas a cada dois ou três meses, e dá conforto e prazer em entrar pela garagem.” Oferecido pelo mercado com ampla variedade de cores, o revestimento possibilita a demarcação de vagas e a sinalização de acesso com um simples jogo de tonalidades.

O tom predominante tem sido o cinza médio, mesclado às faixas amarelas, azuis ou às variações do próprio cinza. O arquiteto ressalva, no entanto, que nos prédios ocupados é preciso utilizar uma resina isenta de solvente, por causa do incômodo do cheiro e do risco de intoxicação.

Em geral, a mudança do revestimento acompanha obras de nivelamento do piso, principal demanda que Celso identifica ainda hoje nas reformas das garagens. Outro item que chama a atenção é a pintura das paredes. “Ela deve ser branca para diminuir o consumo de energia, mas não pode dispensar a sinalização, obrigatoriamente em amarelo e preto”, orienta o arquiteto. 

“A garagem escura exige muita luz, deixa um aspecto de penumbra e uma sensação de claustrofobia. Já tetos e paredes brancas aumentam a refração”, comenta. Para conseguir maior claridade, Celso Farkuh sugere o uso de luminárias fluorescentes duplas, com refletor voltado para baixo, dando maior incidência do raio de luz para o chão. 


Falta espaço, sobram carros. Há solução?

Poucos condomínios estão livres de problemas com suas garagens. Os prédios antigos sofrem com a falta de espaço e os mais novos se vêm às voltas com garagens mal planejadas, cheias de obstáculos e com vagas apertadas. Segundo a arquiteta Fadva Ghobar, especializada no planejamento de garagens, a preocupação com o espaço para carros nos condomínios é cada vez mais eminente. "Quem tem uma vaga quer duas, quem tem duas quer três. Tiramos leite de pedra, e sempre achamos uma brecha para solucionar o caso", conta, ressaltando que, há 30 ou 40 anos, as construtoras não priorizavam vagas para veículos. "Hoje, São Paulo tem a relação de um carro para cada dois habitantes", diz a arquiteta.

Haja espaço, portanto. Nos edifícios antigos, é possível aumentar a quantidade de vagas apenas remanejando o espaço existente ou, então, partindo para reformas, pequenas ou grandes. "Hoje, existem tecnologias que permitem ampliações. Pode-se escavar mais o subsolo, por exemplo, ou usar estruturas metálicas para obter mais garagens", orienta Fadva, que cita os prédios do bairro de Higienópolis, antigos e de alto padrão, com uma relação de vagas por apartamento que muitas vezes não chega nem a um. 

Para Cleide Yusuf, arquiteta que apresenta soluções para garagens há 12 anos, os resultados dependem muito da existência de pilares e outros obstáculos. "Em um prédio em Perdizes com vagas triplas, conseguimos liberá-las só com remanejamento. Depois do prédio pronto, não se pode mexer na estrutura", explica a profissional, que trabalha junto a algumas construtoras fazendo projetos de garagens ainda durante a construção. A arquiteta lembra, ainda, que é economicamente interessante para o condomínio conseguir vagas a mais. Em um prédio em Santana, ela conseguiu 36 vagas novas. "Na primeira assembléia, o síndico conseguiu alugar todas", conta. 

Prédios novos também sofrem com a falta de local para todos os veículos. "Os condomínios precisam reduzir os custos com manobristas, já que muitos têm vagas presas. Uma das opções que encontramos é que os próprios moradores fiquem com as chaves dos carros vizinhos. Em alguns casos tem dado certo", conta Cleide. 

A falta de espaço leva muitos condomínios a optar por acessórios que impedem danos maiores aos veículos. É o caso dos amortecedores de impacto e das mantas para revestir colunas. Outra solução para ganhar espaço nas garagens são os paletes. A arquiteta Cleide Yusuf ressalta, porém, que o uso desse tipo de acessório depende da distribuição dos pilares: "É preciso uma boa circulação para manobrar e conseguir subir no trilho."

A preocupação com a segurança do veículo e a do motorista, aliás, devem estar presentes quando se planeja uma garagem. Segundo Fadva Ghobar, deve-se propiciar visibilidade dos espaços de circulação e manobra, sinalizando as situações de maior risco (como curvas, obstáculos etc.), além de dar boas condições para o veículo ter acesso à vaga. Também é preciso estar atento se depósitos e bicicletários não "roubam" espaço dos carros. "A prioridade na garagem é o carro entrar e sair confortavelmente", define. Em um prédio com 80 armários na garagem, Fadva remanejou 30 que atrapalhavam. "Encontramos outros cantos mortos e desbloqueamos o espaço", finaliza.


Anote as medidas das vagas exigidas pela Prefeitura de São Paulo:

O tamanho das vagas

Grandes:
(exige-se 5% do total de vagas)
2,50 m de largura por 5,50 m de comprimento

Médias
2,10 m de largura por 4,70 m de comprimento

Pequenas
2,00 m de largura por 4,20 m de comprimento.

Segundo a arquiteta Cleide Yusuf, prédios de alto padrão
têm vagas de, no mínimo, 2,30m por 4,70m.

Por que contratar um arquiteto de vagas de garagem?

Condomínios procuram cada vez mais aumentar os estacionamentos, em soluções que vão da mudança do layout de distribuição à ampliação física de áreas de subsolos.

Os proprietários dos apartamentos do Edifício Ilha de Capri, no bairro da Saúde, em São Paulo, tiveram uma surpresa desagradável quando a construtora entregou o prédio de 88 unidades: havia seis jogos de vagas de garagens triplas, situação que obrigava alguns motoristas a manobrar dois carros até conseguirem retirar o próprio veículo. O contrato de venda previa vaga indeterminada e uso de manobrista, lembra o síndico Thiago de Carvalho Matos, detalhe que passou, no entanto, despercebido pelos compradores.

Para melhorar a situação, os condôminos contrataram uma profissional especializada no remanejamento das vagas, a qual, por meio de um novo layout de distribuição entre vagas pequenas, médias e grandes, conseguiu eliminar as triplas e criar novos espaços de estacionamento. “Ficaram ainda algumas vagas duplas, mas a solução foi de muito sucesso”, destaca o síndico, observando que o condomínio renovará anualmente, por sorteio, a distribuição entre os moradores.

Já no condomínio Paulistânia Bosque Residencial, localizado no Brooklin, em São Paulo, a profissional procurou equacionar uma situação muito diferente daquela vivida pelo edifício da Saúde. Entregue no início deste ano com três torres e 350 apartamentos voltados à classe média alta, o empreendimento dispõe de uma fartura de vagas - 1.132, distribuídas em cinco subsolos, sendo de três a seis (para algumas coberturas) por imóvel. “Precisávamos de um critério para distribuir isso da maneira mais justa possível”, afirma o síndico Pompeu Esteves Junior.

Pompeu Esteves ressalta que a especialista teria que levar em conta também a presença de 350 armários e depósitos. “A arquiteta organizou lotes com três a quatro vagas para sorteio, remanejou algumas delas e eliminou outras centrais no primeiro subsolo, de forma a melhorar a circulação dos veículos e permitir um acesso mais direto às rampas”, relata o síndico. Além disso, complementa, foram criadas vagas em outros subsolos e salas para armazenar o lixo.

Finalmente, no condomínio Marquês de Paranaguá, localizado no bairro paulistano do Real Parque, os proprietários, que já dispunham de três vagas de garagem, queriam mais uma, o que foi obtido por meio da ampliação física do subsolo. Responsável pelo projeto, o arquiteto Luiz Frederico Rangel diz que este caso está sendo utilizado como parâmetro de sucesso para projetos em outros condomínios. Luiz Frederico é urbanista, coordenador nacional do Grupo de Trabalho da Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) e defensor de uma série de medidas legais e públicas que disciplinem a circulação dos automóveis no espaço urbano, incentivem o uso do transporte coletivo e também imponham novos hábitos aos motoristas, em uma tentativa de evitar que a cidade literalmente pare. O arquiteto costuma lembrar que são emplacados pelo menos 800 carros por dia na cidade.

Entretanto, enquanto as políticas públicas não acontecem, cada condomínio procura encontrar a sua solução. No caso do Real Parque, além de conseguir mais garagens, os proprietários ainda obtiveram uma valorização real dos apartamentos. “Houve um investimento de R$ 14 mil por imóvel para as obras, mas cada apartamento valorizou nominalmente R$ 50 mil”, conta Luiz Frederico. “Há casos em que estamos fazendo mais um nível de subsolo”, relata o arquiteto, que tem observado ainda um outro tipo de necessidade, agora em condomínios com imóveis de menor valor: a criação de vagas para motos. De forma geral, no entanto, “a principal demanda nos prédios que estão sendo retrofitados é o aumento do número de vagas”, revela o arquiteto.

A especialista Cleide Yusuf, arquiteta responsável pelos remanejamentos nos edifícios da Saúde e do Brooklin, tem anotado, em 12 anos de atuação na área, “uma preocupação maior dos condomínios com o tamanho da vaga, a circulação e as rampas de acesso, além do local para guardar bicicletas e o depósito”.

Nos processos de reformulação, dois dos problemas mais comuns atendidos por Yusuf tem sido a existência de apenas uma vaga e o “aperto” do espaço. “Muitas vagas são estreitas, entre pilares, o que dificulta as manobras. Não são todos os casos em que podemos fazer o remanejamento, porque muitos condomínios realmente não têm área. Mas, quando conseguimos remanejar, ampliamos o espaço e criamos mais vagas”, afirma.

Segundo Cleide Yusuf, a legislação que estipula o tamanho e os critérios para a criação de vagas coletivas nos imóveis em São Paulo não atende mais à realidade dos condomínios. É o Código de Obras, estabelecido pela Lei municipal 11.228, de 1992. “Ele estabelece um percentual mínimo de 5% de vagas para veículos grandes, o que não corresponde à realidade de alguns condomínios”, diz. Segundo ela, algumas construtoras têm ampliado a largura das vagas de 2,10 para 2,30 metros. Por outro lado, ressalva o arquiteto Luiz Frederico Rangel, os veículos menores têm uma capacidade de manobra maior que os antigos, o que lhes permite um raio de curvatura menor e, assim, “a possibilidade de reduzir de maneira razoável a área de circulação”. Desta forma, é possível ganhar espaço e criar mais vagas.

Na verdade , prossegue o arquiteto, as necessidades dos condomínios variam conforme o perfil do morador. Se nos condomínios de classe sócio-econômica de menor poder aquisitivo tem havido procura para estacionamento de motos, as demandas por mais vagas de automóveis acontecem em prédios onde a população é mais jovem.

Já nos edifícios mais antigos, em que predominam moradores da terceira idade, a prioridade é baixar custos, diz. Também nos edifícios mais antigos, em que a escritura da vaga de garagem é separada da escritura do imóvel, fica inviável fazer o remanejamento, completa o arquiteto.


Repaginação da Garagem: Piso, Sinalização, Iluminação

PELA ORGANIZAÇÃO E O CONFORTO DE UMA ANTESSALA

Boa parte dos moradores das grandes cidades passa pelas garagens antes de entrarem em suas casas para momentos de merecido descanso. Assim, é preciso dar um aspecto de antessala neste importante espaço de convívio diário das pessoas.

Ambientes com pouca iluminação, de paredes e luminárias escurecidas pela fuligem e poeira, tetos tomados por calhas de maneira a evitar gotejamento sobre os veículos, pisos sujos, trincados e irregulares. Não é raro encontrar esse cenário nos subsolos dos edifícios de São Paulo, a despeito de esta ser a cidade do automóvel e de boa parte de seus residentes chegarem a suas casas pela garagem. “Para a maior parte dos condôminos, basta terem a vaga e que a garagem funcione”, observa a arquiteta Cleide Yusuf, especialista no assunto. “Por uma questão de economia, o espaço acaba sendo o último em prioridade.” O que é um erro, ressalva, já que um tratamento no piso, pintura, sinalização e iluminação confere mais conforto ao usuário, agiliza os deslocamentos e facilita a manutenção. Sem contar no remanejamento dos espaços, que costumam aumentar em até 20% o número de vagas disponíveis e adequálas às larguras mínimas estabelecidas pelo Código de Obras de São Paulo.

Para dar uma cara de mais leveza, organização e modernidade às garagens, Cleide sugere iniciar a repaginação pelo piso. O ideal seria um revestimento em epóxi, que propicia claridade e facilidade de limpeza, ou a pintura sobre a superfície (concreto ou cimento), com material sintético especial, o mesmo empregado em quadras. O interessante, observa a arquiteta, é que tanto o epóxi quanto a pintura podem ser aplicados em diferentes tonalidades, demarcando as próprias vagas. “O revestimento da garagem toda pode ser em cinza claro e o espaço da vaga em um tom mais escuro, em azul”, sugere. Cleide destaca, por outro lado, a necessidade de se instalar superfícies antiderrapantes nas rampas de pedestres (que pedem ainda piso tátil) e dos veículos.

Nas paredes, colunas e tubulações, a pintura também auxilia na organização e confere um padrão estético mais confortável. “As tubulações de esgoto, de incêndio e elétrica podem ser pintadas em cores diferenciadas. As paredes, por sua vez, devem ser preferencialmente brancas, acima de meia altura. Os condôminos acabam optando por preto na primeira metade da parede, para protegê-la contra a fuligem, mas o ideal seria substituí-la por outra tonalidade”, diz. Já as faixas amarelas, utilizadas como sinalização, podem ceder lugar ao verde, opina. E como demais elementos indispensáveis de sinalização, aparecem as placas de quilometragem, as de localização das vagas e dos prédios (quando a garagem atende a mais de uma torre), faixas de redução de velocidade, além dos “borrachões” protetores de colunas e paredes, “que dão um visual bonito e bem organizado”.

Para completar a repaginação, entra um item essencial: a iluminação. Um bom padrão de claridade resulta da combinação entre o projeto de luminotécnica e as tonalidades presentes nas paredes e no revestimento básico do piso. O técnico em iluminação e empresário Rogério Garcia Parra, síndico do condomínio Splendor Tatuapé, localizado na zona Leste da cidade, costuma dizer que “luz é vida, comunicação e segurança”. Presidente da Associação Pool Design da região Leste da cidade, o síndico observa que as garagens precisam de uma quantidade mínima de 200 a 300 lux em qualquer ponto, conforme a NBR 5413/92 (da ABNT/ Associação Brasileira de Normas Técnicas).

O técnico deixa outras recomendações para os colegas síndicos: utilizar lâmpadas fluorescentes de 40 watts e sensores de presença; deixar as luminárias presas ao teto e, quando houver vigas formando barreiras à disseminação da luz, pendurá-las, mas sempre até o nível dessas vigas; adquirir somente materiais de qualidade; instalar balizadores (LED’s ou fluorescentes) nas paredes contíguas às rampas; realizar a limpeza periódica das lâmpadas com uma solução de água e álcool, já que o acúmulo da poeira e fuligem pode gerar perda de até 30% da luminosidade. Para encerrar, Rogério lembra que paredes claras garantem maior refletância luminosa e recomenda critérios no uso de lâmpadas potentes nas eclusas (é preciso uma altura mínima de três metros, evitando o ofuscamento sobre o motorista) e das LED’s (muito mais econômicas, elas ainda não têm o mesmo fluxo luminoso das fluorescentes).

Economia e beleza nas garagens


É possível valorizar a garagem, tornando-a um espaço mais agradável, com uma iluminação correta e eficiente e instalando acessórios adequados. A instalação de sensores de presença é fundamental para economizar energia elétrica. "Nas garagens, os sensores economizam mais de 60% de energia", afirma o engenheiro eletrônico Márcio Missao Babazono. Segundo Márcio, muitos síndicos têm solicitado um retrofit para a iluminação da garagem. Com o apagão e a necessidade urgente de economizar, os condomínios deixaram as garagens escuras demais. Conforme a garagem, Márcio recomenda a instalação mais adequada. Garagens pequenas podem receber sensores por ponto (ou sistema parcial, que deixa os corredores da garagem acesos e os sensores nas vagas). Já garagens maiores precisam de centrais de gerenciamento - conforme o carro entra na garagem, acendem-se os pontos.

Para qualquer dos dois sistemas, o engenheiro não indica o uso de lâmpadas fluorescentes compactas, por queimarem mais facilmente. No sistema parcial de sensores, esse tipo de lâmpada pode ser utilizado apenas nos pontos que ficam acesos continuamente. Já as fluorescentes comuns podem ser utilizadas nos sensores. Ainda visando a economia de energia, é recomendado trocar as tradicionais lâmpadas fluorescentes de 40w por modelos de 32w que, segundo Márcio, consomem menos e iluminam mais. Os reatores de partida rápida devem ser substituídos pelos eletrônicos, também mais econômicos. Márcio ensina que o síndico precisa contar com 5% de queima das lâmpadas por mês. “Em média, de cada 100 lâmpadas, cinco queimam”, aponta. 

Acessórios de borracha, como amortecedores de impacto, cantoneiras e protetores de colunas e paredes, evitam danos aos veículos e dão um bonito acabamento nas garagens. Redutores de velocidade refletivos (também conhecidos por tachões) e limitadores de vagas completam a relação de acessórios. Periodicamente, deve-se proceder a pintura das vagas e sua numeração. Placas de sinalização, especialmente as que indicam o limite de velocidade, são essenciais para garantir a segurança dos usuários.

Fonte: http://www.direcionalcondominios.com.br


 

 
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