|
matérias
O Maestro do condomínio
Candidatar-se a síndico deixou de ser ato voluntário
para se tornar ocupação reconhecida pelo Ministério do Trabalho

Texto: Helena Stürmer
Ilustração: Nina Pinho
O vizinho que toca sax, a mulher que estende o tapete recém lavado na sacada, o homem que gasta 3 horas enxaguando o carro, os animais de estimação sujando as áreas coletivas e as crianças correndo pelas garagens e afins, passando por cima das mesmas sujeiras. Conviver com todas essas divergências em um condomínio só é possível por causa de uma pessoa: o síndico.
Normalmente visto como o general, ele é a figura que, por meio de um regimento interno, tenta manter o funcionamento pleno de toda a estrutura física – que inclui o motor da piscina, a bomba d’água, a iluminação e a pintura – e estrutura humanística – sendo diplomático nos casos de reclamações, e intermediando a relação entre os moradores. Um trabalho que exige responsabilidade e muita, muita paciência.
Não à toa são poucos os que gostam de assumir o cargo. Porém, há aqueles que escolhem seguir carreira e trabalhar com isso pelo resto da vida. Ser síndico, atualmente, já é uma ocupação – e não profissão – reconhecida pelo Ministério do Trabalho, conforme anotado na Classificação de Ocupação Brasileira (CBO) de 2002, nº 5101-10 através da nomenclatura administrador de edifício. O que acontece é o síndico tornar-se pessoa jurídica para abrir uma empresa, ficando equiparado então a um profissional liberal.
Esse é o caso de Roger Mann. Depois de ser eleito síndico no prédio em que morava, e chamado para assumir o cargo profissionalmente em outro condomínio, mais convites surgiram e, desde 2000, atua como síndico profissional em sua própria empresa no Rio de Janeiro, capital.
Para gerenciar seis condomínios atualmente, Mann já passou por mais de 30 cursos voltados à prática administrativa de edifícios, mas garante que o que pesa são as experiências profissionais e bagagem de vida que o candidato traz consigo: “Há cursos soltos, mas nem chegam perto de preparar a pessoa para a realidade da profissão”, diz. Já Edgar Francis, na “profissão” há 16 anos em Florianópolis, acredita que sua graduação em engenharia civil e administração deram embasamento teórico necessário à função, e concorda que a prática só se aprende exercendo.
Os cursos de preparação para síndicos profissionais não são obrigatórios. Eles existem aos montes, e vão desde os vídeos tutoriais no youtube e cursos gratuitos pela internet, aos mais sérios, com aulas presenciais, que podem durar até três meses e 50 horas/aula. Um exemplo é a Tecnoponta, com sede em Santos e São Paulo, capital. A empresa oferece curso integral de teoria e prática, com duração de três dias e custo de R$664. No conteúdo programático constam aulas práticas de RH de condomínios, aulas de como calcular valor dos salários dos funcionários e das taxas condominiais, código de defesa do consumidor, manual do síndico e lei do condomínio.
Tanto investimento é recompensado durante a atuação. De acordo com Francis, o salário varia de 1 a 10 salários mínimos, dependendo do porte e do tipo do condomínio – síndicos profissionais costumam cobrar de 3 a 5 salários mínimos, e pequenos condomínios remuneram condôminos desde a isenção da taxa, pagando até 3 salários.
Apesar de não estar sempre presente no edifício que gerencia, o síndico profissional continua responsável pelas mesmas tarefas habituais: manutenção, limpeza, bem-estar, cobranças e pagamentos. Mas a questão do barulho continua sendo a mais levantada quando se fala em condomínio. Como resolver se o síndico não está presente? “O barulho é a campeã: cachorro, aparelhos eletro eletrônicos que produzem ruídos em volume alto, voz em volume alto, obras, festas, sexo, etc… Reclamam na recepção ou portaria. Caso o porteiro não consiga resolver, ele me contata”, afirma Roger Mann.
Fonte: www.umprojeto.com.br
|
 |