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Piscina

Piscina: manutenção
Cuidados devem ser mantidos em qualquer estação climática.
Além dos procedimentos com o tratamento da água, também os equipamentos e as instalações hidráulicas da piscina exigem atenção para que todo o sistema funcione adequadamente. A bomba, por exemplo, responde pela circulação da água. “É o coração da piscina”, atesta o engenheiro Armando do Nascimento, que atua há 27 anos no setor. “Já o filtro retém a sujeira em suspensão na água, retirando as impurezas. No conjunto filtro e bomba, um equipamento complementa o outro”, afirma. Além disso, Armando recomenda que os equipamentos não fiquem desligados por longos períodos, “o que pode travar os rolamentos dos motores”. “A bomba não pode ficar parada e a filtragem da água deve ser diária. No inverno, é comum os condomínios cobrirem a piscina e esquecerem-se dos cuidados, o que não é recomendado”, diz o engenheiro.

Atualmente, bombas e filtros são produzidos em material termoplástico – uma primeira geração de filtros era produzida em chapas de aço e as bombas em ferro, o que facilitava a oxidação e o aparecimento da ferrugem. Todo sistema demanda revisão a cada seis meses. A cada dois anos, no máximo, a areia do filtro deve ser trocada. “Em uma piscina com a água bem tratada, a areia do filtro dura mais. Quando a água não é cuidada adequadamente, a areia fica mais saturada”, compara Armando.

Para conhecer melhor os equipamentos da piscina do condomínio, é indicado verificar o memorial descritivo do prédio, onde estão especificadas as instalações. Armando explica que em casos de existir mais de uma piscina, deve haver também mais de um conjunto bomba-filtro. Segundo ele, um único equipamento exige manobras nos registros das instalações hidráulicas e “maior cuidado do pessoal da manutenção”. Outra recomendação importante é identificar todos os registros existentes na casa de máquinas e, se possível, deixar à mão um roteiro de quais manobras são necessárias para determinadas ações (como filtrar e retrolavar).

Também a perda de um ou mais elementos do revestimento da piscina pede manutenção adequada. Mas não é necessário esvaziar a piscina para fazer os reparos, orienta o engenheiro civil MarcellusBellezzo, especializado em hidráulica e galerias de águas pluviais. Marcellus explica que cada metro cúbico de água transfere para a estrutura da piscina uma tonelada de carga: “Quando esvaziamos e reenchemos uma piscina, os esforços provocados pelo peso da água e variação térmica deslocam o revestimento, causam trincas e vazamentos posteriores.” O engenheiro adaptou para piscinas a técnica de reparos subaquáticos realizados em plataformas de petróleo. Com uma talhadeira, é removido o revestimento danificado, sem estragar aqueles situados próximos. A base é raspada e regularizada. Fora da água, é aplicado adesivo epóxi no azulejo, que é então aplicado no local. O epóxi excedente funciona como rejuntamento das peças. Para realizar o serviço, é preciso contratar um profissional qualificado, que utiliza um equipamento de respiração subaquática. A piscina poderá ser utilizada algumas horas após a colagem, sem maiores transtornos. (L.O.)

Beleza, funcionalidade e eficiência
Em tempos de sol a pino, céu azul e temperaturas elevadas, as piscinas costumam proporcionar sensação de frescor, prazer e diversão. Especialmente se o entorno estiver dotado de um belo tratamento paisagístico. Mas para empresas e profissionais que lidam com o assunto, a piscina surge também como sinônimo de muito trabalho, destaca o engenheiro Sérgio Almeida Teixeira Leite, proprietário da Semab, empresa que fabrica e comercializa equipamentos para tratamento físico da água, entre muitos outros produtos e serviços.

Não basta manter a água limpa, esta deve ser tratada como se fosse potável, defende Sérgio Almeida. “Ela pode ser ingerida, fica em contato com a pele e se não for submetida a um tratamento adequado, pode facilitar a proliferação de microorganismos, cistos, protozoários, bactérias, fungos, vírus, coliformes, causar doenças infectocontagiosas ou conjuntivite, otite e micoses.” Com 27 anos de mercado, a Semab comercializa bombas variadas, filtros, geradores de cloro e ozônio e bombas dosadoras eletrônicas.

Estes dois últimos itens são fabricados pela própria empresa, que recentemente lançou no mercado o Aparelho Acquaclor, o qual  promove “a esterilização e desinfecção de águas e esgotos, oxida matérias orgânicas, melhora o controle sanitário e ambiental por meio da erradicação de doenças e a eliminação de agentes patológicos”. O equipamento é “capaz de gerar, no próprio local, uma solução oxidante de hipoclorito de sódio (cloro residual livre), através de um processo eletroquímico (eletrólise) de salmoura (água e sal), utilizando um retificador (fonte) de corrente contínua em baixa tensão, e um reator composto por eletrodos especiais (célula)”, explica Sérgio.

O empresário diz que o produto oferece uma “ótima relação custo-benefício”, por reduzir os custos operacionais em “até 70%”, e pode ser utilizado ainda em estações de tratamento de água e esgoto, poços artesianos, hospitais, condomínios, clubes, lavanderias e indústrias. A Semab oferece como serviços opcionais a instalação, manutenção ou locação do equipamento. De forma geral, além de vender os produtos, a empresa costuma realizar assistência técnica, “por contrato mensal ou chamada avulsa”. É disponibilizada ainda “a manutenção periódica das bombas das piscinas e de todas as demais”, avalizada, conforme Sérgio Almeida, pelo knowhow de 27 anos de trabalho, pela variedade do estoque e pelo sistema de plantão de atendimentos, que o empresário destaca como principais diferenciais da Semab em relação ao mercado.

A Comercial Lanel é outra empresa que oferece assistência técnica direta para os produtos que comercializa, afirma Ricardo Jorge Sá dos Santos. Com oito anos de existência, mas proveniente de um grupo que atua há 33 anos, a Lanel tornou-se uma distribuidora multimarcas de bombas hidráulicas e de acessórios,  realizando a assistência em suas próprias oficinas. De acordo com Ricardo, há diferentes modelos de bombas para piscinas, que variam conforme o tamanho e o volume de água envolvido. O conjunto completo do equipamento inclui a bomba com pré-filtro, o filtro e a areia, que assegura a purificação da água. O empresário diz ainda que a Lanel trabalha sob contratos de manutenção em bombas d´água, motores elétricos, inversores de frequência, soft-starters, chaves de partida e painéis de comando.

Entre seus clientes, figuram condomínios, construtoras, indústrias, hospitais, empresas de extração mineral, saneamento básico e tratamento de água. “A manutenção é preventiva, preditiva e corretiva e temos plantão de 24 horas nos contratos de manutenção”, destaca Ricardo. A garantia pelos serviços prestados é de seis meses. Atendendo a todo País, “a Lanel traz como diferencial seu knowhow em assistência técnica, um amplo estoque e preços acessíveis”, complementa o sócio da empresa. A boa parceria com os seus clientes rendeu para a Lanel e o Grupo N. Nascimento, do qual se originou, uma terceira loja, que será inaugurada ainda neste ano. As unidades estão localizadas na zona Norte de São Paulo.

PAISAGISMO



A garantia da limpeza e eficiência das piscinas pode estar acompanhada por um tratamento paisagístico do entorno que também prime pela adequação e funcionalidade.

De forma geral, as empresas que trabalham neste segmento devem “respeitar o paisagismo local e o ambiente, analisar as condições de tráfego de pessoas e automóveis, a segurança, além das instalações hidráulicas e elétricas”, analisa Viviane Callegari, da Jardineira Paisagismo. Segundo a profissional, é importante o uso de plantas que não interfiram nos pontos enumerados acima, “adequando o projeto com variedades que possam permanecer no local de 20 a 30 anos ou mais”. Ou seja, ressalva a paisagista, o porte adulto das espécies deve ser levado em conta no momento de se decidir pelo projeto, seja para áreas contíguas às piscinas ou aos jardins e floreiras, entre outros.

Com 20 anos de existência, a Jardineira Paisagismo apresenta em sua carteira clientes importantes, como grandes redes de hotéis, bancos e condomínios residenciais e comerciais de alto padrão. Segundo Viviane, um bom projeto paisagístico deve atender não apenas às expectativas destes clientes, mas também ao uso e função que terá no ambiente a ser trabalhado. As espécies precisam estar de acordo com o espaço físico, lembra. No mais, as empresas precisam garantir a qualidade das mudas e da terra utilizada, bem como a rapidez, limpeza e organização durante a execução dos serviços. No caso da Jardineira, a paisagista destaca que a empresa proporciona “o melhor atendimento possível, o qual se baseia no retorno imediato à solicitação, no preço justo e na qualidade da operação, mantendo a limpeza e a organização do ambiente”.

Os serviços oferecidos pela Jardineira vão além dos projetos de intervenção paisagística, pois envolvem também manutenção e conservação de áreas ajardinadas e vasos internos, em atividades como corte de gramado, topiaria (poda), adubação e reforma, relaciona Viviane. A empresa possui um quadro de funcionários qualificados, que atuam “sob contínua supervisão técnica”. 

Água quente, diversão o ano todo



Em se tratando de piscinas em condomínio, a segurança não pode ser deixada de lado. A principal função das capas é justamente proteger contra acidentes (como a queda de crianças ou animais domésticos). "A maioria das capas suporta até 80 quilos por metro quadrado. Mas é claro que tudo depende da qualidade do vinil", orienta o engenheiro Armando Nascimento, especializado na conservação e assistência técnica de equipamentos para piscina.

Existem também capas térmicas, feitas de plástico-bolha, que impedem a saída de calor da piscina. Com o uso desse tipo de capa, é possível aquecer a piscina só pela ação do sol. Já em piscinas aquecidas, o uso de capas chega a reduzir em até 30% o uso do equipamento, informa Nascimento. Em relação ao tipo de aquecimento, pode-se escolher entre os com funcionamento elétrico, a gás, por combustíveis ou solar. "O aquecimento amplia o uso da piscina. O custo é baixo perto do conforto obtido", diz. 

O aquecimento elétrico, também conhecido como bomba de calor, é o mais antigo sistema. Tem a desvantagem de consumir energia elétrica, porém tem um bom rendimento, principalmente na primavera, no verão e no outono. O aquecimento a gás consegue um ganho de calor mais rápido do que o elétrico mas os equipamentos ainda têm um custo alto, por serem importados ou feitos sob medida. Já quanto ao aquecimento solar, ele pode se tornar inviável se não houver uma área ensolarada próxima à piscina, do mesmo tamanho da área da água da piscina, para instalar as placas coletoras que captam o calor. 

Depois de escolher o sistema mais adequado, ao fazer uma cotação de preços para aquecimento é importante comparar a potência térmica dos equipamentos. "Muitas vezes, um equipamento é vendido no limite, para obter um preço menor, e no inverno ele não responde com o resultado desejado", explica Nascimento.

Tratamento químico da água
Depois da água limpa, ou seja, livre de sujeiras visíveis, é hora de deixá-la balanceada e saudável. A água da piscina deve ser tratada quimicamente para tornar-se balanceada (não provocando irritações na pele e olhos) e saudável (livre de bactérias, fungos e odores). 

Para manter a água balanceada, o pH (potencial de hidrogênio) deve ter um nível entre 7,2 e 7,6. Isso assegurará o conforto dos banhistas, a proteção dos equipamentos e a ação eficaz dos produtos químicos. Nível de pH baixo demais acarreta rápida perda de cloro, corrosão de superfícies, irritação nos olhos dos banhistas e, em caso de piscinas de vinil, enrugamento do material. Já pH alto demais causa desinfecção deficiente, formação de incrustações, turvação da água e também irritação nos olhos. Há no mercado fitas teste para que se verifique o nível de pH. Nas piscinas de uso coletivo, o ideal é que esse procedimento seja feito todos os dias, e ajustado se for o caso (os alcalinizantes aumentam o pH; já para baixar o pH são usados os acidulantes).

Para o tratamento químico da água, o produto mais utilizado é o cloro granulado ou hipoclorito de cálcio (65% de cloro ativo). A presença constante de residual de 2 a 4 ppm (partes por milhão) de cloro livre é suficiente para manter a água desinfetada. Além da cloração, um tratamento químico criterioso deve combinar a oxidação de choque e a estabilização do cloro. A oxidação "queima" os restos de microorganismos mortos pela desinfecção. Somente após a oxidação de choque é possível garantir que o cloro adicionado à água se converta em cloro livre, com alto poder de desinfecção. A oxidação de choque é necessária no início ou reinício do tratamento da piscina, após chuvas intensas, especialmente no verão, ou após uso intensivo da piscina por grande quantidade de usuários.

Nas piscinas de uso intensivo, a oxidação é indicada semanalmente. Já a estabilização do cloro livre (necessária para piscinas expostas ao sol), impede que os raios ultravioleta consumam rapidamente o residual de cloro livre e anulem a ação desinfetante.

Segundo Armando Nascimento, engenheiro especializado na manutenção de equipamentos para piscina, as empresas fabricantes de produtos químicos oferecem cursos específicos para tratadores de piscinas, ideal para zeladores. O condomínio pode optar, ainda, por tratamentos alternativos, como os geradores de cloro, os ionizadores, os ozonizadores e o ultravioleta. "Esses processos alteram de alguma forma a água para combater as impurezas", completa.

Cuidados com os produtos químicos
A falta de hábito de ler as instruções de uso e segui-las corretamente, aliada a grande variedade de produtos químicos destinados ao tratamento da água de piscinas, tem aumentado o número de acidentes com danos físicos ao tratador da piscina ou até danos materiais aos equipamentos. Há produtos químicos incompatíveis entre si. É preciso evitar a mistura dessas substâncias e armazená-las separadamente.

Anote algumas dicas para armazenar e manusear com segurança esses produtos:
-Nunca armazene produtos químicos líquidos acima de produtos sólidos.

-Armazene os produtos químicos em suas embalagens originais fechadas, em local limpo, fresco e seco, ao abrigo da luz solar direta, fora do alcance de crianças e animais domésticos e separados de líquidos como óleos, graxas, tintas e solventes. Essas misturas podem causar fogo ou explosão.

-Ao realizar o tratamento da água, utilize luvas, óculos e máscara de segurança para proteger-se do contato com produtos químicos. Para homogeneizar soluções de produtos utilize um pedaço de tubo plástico (PVC), nunca as mãos ou objetos metálicos.

-Em caso de contato com a pele ou roupas, remova o produto com escova seca e depois lave com água e sabão por pelo menos 15 minutos.

-Nunca misture produtos químicos entre si. Não misture um cloro com outro cloro. Embora todos eles liberem o cloro livre na água, sua mistura – quando concentrados – pode ser incompatível, produzir fogo e/ou explosão.

Limpeza
O Brasil é o segundo país do mundo em número de piscinas instaladas, só ficando atrás dos Estados Unidos. São 1.250.000 piscinas em todo o País, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins (ANAPP). Não há números que comprovem a quantidade de piscinas em condomínios. Porém, elas são um dos componentes das áreas de lazer que mais valorizam um edifício. Prédios sofisticados chegam a ter modelos aquecidos e cobertos, ideais para nadar o ano inteiro.

Independente do tamanho e estilo da piscina do condomínio, o importante é tratá-la bem, mantendo-a sempre limpa. Um zelador bem treinado pode fazer o serviço com eficiência. Segundo Kaumer Rodrigues, superintendente da ANAPP, todo dia deve-se proceder a limpeza física da piscina, retirando folhas e outros resíduos visíveis. Para esse serviço, devem ser utilizados acessórios como peneiras, coadeira (também conhecida como skimmer, fica instalada ao nível da água, e sua função é captar sujeiras que flutuam na superfície), escovão (para limpeza das superfícies submersas) e aspirador. Devem ser limpos ainda freqüentemente os cestos pré-filtros da motobomba e da coadeira. Esses cestos servem para reter as sujeiras maiores e evitar que elas atinjam a bomba. 

Produtos limpa-bordas devem ser utilizados para retirar sujeiras aderidas nas bordas da piscina, com o auxílio de uma esponja macia e não abrasiva. Nunca utilize palha de aço ou escovas metálicas. 

O filtro também deve ser ligado diariamente: o sistema de filtragem limpa a água através de uma areia especial que está dentro do filtro, removendo cabelos, restos de protetor solar e outras impurezas. Consulte o fabricante do filtro para saber o tempo que ele deve ser mantido ligado. Esse período varia de 6 a 12 horas, o tempo necessário para que todo o volume de água da piscina passe pelo sistema de filtração. Rodrigues lembra ainda que, periodicamente, deve ser verificado o estado da bomba (ela puxa a água da piscina para que passe pelo filtro) e, ainda, se a vazão da bomba utilizada é a correta para o tamanho da piscina. Uma boa dica é seguir à risca as instruções constantes do manual do fabricante do filtro e da bomba para a manutenção desses equipamentos. “A casa das máquinas deve estar sempre seca e ventilada”, orienta ainda o superintendente da ANAPP.

Impermeabilização de Piscinas
Os especialistas são unânimes:  toda impermeabilização exige um projeto que irá definir a melhor solução a ser empregada conforme as características topográficas e construtivas do local. Segundo Eliene Ventura, engenheira colaboradora do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), antes mesmo da fundação de um edifício é preciso haver um projeto de impermeabilização já definido. E no caso da piscina, “o sistema mais indicado vai depender de vários fatores, como as condições do terreno. Por exemplo, se é um aclive ou um declive, e se a área tem um lençol freático alto ou não”, aponta.

Os sistemas de impermeabilização mais utilizados em piscinas, conforme Eliene, são as argamassas com aditivos impermeabilizantes, as argamassas poliméricas e as conhecidas mantas asfálticas (não indicadas, segundo a engenheira, em áreas com lençol freático alto). Somente as piscinas de PVC ou de fibra de vidro dispensam impermeabilização. Estas, porém, segundo pondera o engenheiro Jerônimo Cabral Fagundes Neto, “são materiais de vida útil bem menor do que as piscinas de estrutura de concreto revestidas com placas cerâmicas ou pastilhas”.

Pós-graduado em avaliações e perícias de Engenharia e mestre na área Tecnologia das Edificações, Jerônimo recomenda alguns cuidados na manutenção dessas piscinas de estrutura de concreto, incluindo iluminação e luminárias, instalações elétricas, ligações hidráulicas e rejuntes, já que um vazamento só é facilmente percebido em casos em que a garagem fica no subsolo. “Em piscinas enterradas é mais complicado descobrir um vazamento”. Ele somente acaba percebido quando ocorre uma variação muito grande do volume da água ou promove um afundamento, “com recalque em volta da piscina ou no seu próprio interior”, explica o engenheiro.

Eliene Ventura observa, por sua vez, que para evitar o escoamento da água por trás das paredes da piscina, que podem fazer pressão causando danos ao sistema, existem soluções simples, como a colocação de grelhas no piso circundante à área, que também deve ter uma caída adequada evitando infiltrações causadas pelas chuvas ou lavagens. “Juntas de dilatação devem ser previstas, apresentando superfícies planas e paralelas, e a estrutura não pode ser objeto de trincas”, atesta Eliene.

Jerônimo complementa que, do projeto à execução de uma piscina, devem ser seguidos os procedimentos corretos para que a área seja efetivamente aproveitada pelos moradores: “Já vi casos de piscinas em prédios seminovos que nunca puderam ser utilizadas pelos moradores, porque apresentam vazamentos. Depois de impermeabilizada, a piscina deve passar por um teste de estanqueidade de 72 horas. Só depois disso é que está liberada para receber o revestimento, e tomando-se todos os cuidados para não perfurar a manta asfáltica.”

Para o também engenheiro André Fornasaro, conselheiro do IBI, o síndico deve contratar um projeto de impermeabilização, qualquer que seja a área a ser trabalhada. “Uma orientação técnica especializada diminui riscos que podem parecer banais, mas que, no futuro, trazem um transtorno enorme a todas as partes envolvidas, até porque juridicamente não existe agilidade para a apuração das responsabilidades, para o ressarcimento de prejuízos e para a re-execução do que foi mal feito e está vazando”, finaliza. (L.O.)

Piscina: Para deixar a água em dia
Nos condomínios, as áreas de lazer devem ser observadas com extrema seriedade. O tratamento da água da piscina, por exemplo, é item primordial. “É preciso manter a água limpa, cristalina e principalmente saudável. A questão é tratar a água da piscina como se fosse água potável, isso porque ela pode ser ingerida e fica em contato com a pele. E se não for submetida a um tratamento adequado, pode facilitar a proliferação de microorganismos, cistos, protozoários, bactérias, fungos, vírus, coliformes, causando doenças”, alerta o engenheiro Sérgio Leite, experiente em sistemas de bombeamento e tratamento de água.

Para que o condomínio possa oferecer uma “água perfeita” aos usuários, a atenção deve recair tanto para as instalações e equipamentos da piscina (como bombas, filtros, válvulas, registros, que devem ser dimensionados de acordo com o volume de água), quanto para o tratamento químico. Segundo o engenheiro, produtos como hipoclorito de sódio, cloro granulado de cálcio, algicidas, corretores de pH, clarificantes e decantadores devem ser utilizados e aplicados de acordo com a tabela do fabricante e o volume da piscina. “Esses produtos devem ser manuseados e utilizados com segurança, com os devidos cuidados e na quantidade certa. Doses excessivas não resolvem problemas, ao contrário, podem até piorar uma situação existente e ainda criar outros mais graves”, esclarece.

Mas, quem é o profissional habilitado a tratar das piscinas? A questão é polêmica. Segundo o químico Jorge Antônio Barros de Macêdo, autor do livro “Piscinas – água & tratamento & química”, o tratamento de água para piscinas públicas e coletivas é uma atividade privativa do químico. A determinação é do Decreto nº 85.877, de 7 de abril de 1981, que estabelece normas sobre o exercício da profissão de químico. “O tratamento de água de piscinas cabe ao profissional devidamente registrado no Conselho Regional de Química, CRQ. Logo, zeladores e funcionários só podem realizar tratamento com derivados clorados, cloro no jargão popular, se devidamente acompanhados por um profissional da área de Química”, aponta.

O especialista considera que o manejo de produtos químicos é uma prerrogativa do profissional da Química, que é capacitado e tem conhecimentos específicos sobre os produtos. “E sempre é bom lembrar que a distância entre um remédio e um veneno, está na dose. Ou seja, qualquer produto químico utilizado em excesso se transforma em risco para o manipulador e para o usuário do ambiente onde ele é utilizado”, defende.

Para Jorge, é possível o condomínio contratar a assessoria mensal de um químico, com visitas semanais, já que a princípio o tratamento da água de uma piscina é realizado uma vez por semana. “O referido profissional deve assinar como responsável técnico pelo tratamento da água da piscina do condomínio. Entendo ser um risco um prático fazer o tratamento da água, que será utilizada para o divertimento dos moradores.”

NORMAS TÉCNICAS

O advogado e consultor jurídico condominial Cristiano de Souza Oliveira explica que as piscinas de condomínios são classificadas como “de uso coletivo restrito” pela Norma Técnica Especial que as regulamenta, aprovada pelo Decreto Estadual 13.166/79. “Além de conter questões que envolvem as obras de instalação de uma piscina, tais como distanciamento de vegetação, tipo de piso em vestiário, uso de lava-pés, a norma disciplina também a obrigatoriedade do controle da água e o registro de usuário”, esclarece.

Porém, em relação aos operadores de piscinas, a norma, em seu artigo 50, diz: ”As piscinas de uso público e, a critério da autoridade sanitária, as de uso coletivo restrito, deverão ser operadas e controladas por operador especializado e habilitado.” Cristiano recomenda que o funcionário que regularmente proceder ao tratamento da água da piscina receba acúmulo de função. Ele também indica que seja registrado em livro próprio o índice de pH da água verificado frequentemente.
Outra exigência da Norma Técnica é a solicitação de exames médicos aos moradores “assinado por profissional legalmente habilitado”. Segundo a Norma, “o exame médico será atualizado pelo menos a cada seis meses”. Conforme Cristiano, poderá haver denúncias dos próprios condôminos à Vigilância Sanitária em relação à inexistência de exames médicos para o uso da piscina, causando problemas ao síndico.

QUALIDADE MICROBIOLÓGICA
Sobre os tipos de tratamentos da água, o mais usual ainda é a base de cloro. Conforme o químico Jorge Macêdo, são os que trazem melhores resultados à qualidade da água. “Os derivados clorados são utilizados para garantir a qualidade microbiológica da água, ou seja, que a água não transmita nenhum microrganismo patogênico aos usuários da piscina, que ninguém fique doente por frequentá-la. Os derivados clorados têm a característica de manter um residual de cloro na água por mais tempo e este residual é que garante a qualidade microbiológica da água”, explica.

Jorge não recomenda tratamentos alternativos: “Apesar de serem eficientes eles não mantêm um residual na água. Após sua utilização não conseguem continuar o processo de desinfecção e, neste caso, indico a complementação do tratamento com o uso de derivados clorados.” Fator essencial é que o pH permaneça na faixa entre 7,2 a 7,6. O especialista esclarece que a ação bactericida dos derivados clorados está vinculada ao pH, ou seja, pH acima de 7,6 diminui a capacidade dos derivados clorados realizarem o processo de desinfecção na água da piscina. “Assim, microrganismos patogênicos, que transmitem doenças, não estarão sendo eliminados”, completa.

Ações preventivas podem otimizar o trabalho de manutenção da água da piscina e garantir a qualidade, pondera, por sua vez, o engenheiro Sérgio Leite. Ele sugere, entre outras ações, realizar campanhas para que os usuários não usem bronzeadores ou urinem dentro da piscina; obrigar o banho de ducha antes de entrar na piscina; manter o lava-pés cheio e com água superclorada; limpar e desinfetar o piso do deck diariamente; e utilizar capa de cobertura à noite ou quando sem uso.

Piscina: Aquecimento
Um autêntico “elefante branco”, que apenas gera custos de manutenção, no lugar de lazer e diversão para os moradores. Assim são vistas as piscinas de muitos condomínios. Sem aquecimento, a água gelada espanta os frequentadores. Hoje, o aquecimento deixou de ser artigo de luxo e se transformou em item essencial para incrementar essa área de lazer por vezes relegada ao esquecimento nos edifícios. Compensa planejar o investimento e estudar qual o melhor tipo de aquecedor: bombas de calor, a gás ou solar.

As bombas de calor, também conhecidas como trocadores de calor, são as mais utilizadas. “São equipamentos mais práticos, justamente porque sua instalação depende de poucas obras, em comparação com a opção a gás”, aponta o engenheiro Armando do Nascimento, que atua há 27 anos na área de vendas de equipamentos e manutenção de piscinas.

O princípio dos trocadores é tirar o calor do ambiente e transferi-lo para a água. Segundo fabricantes e instaladores, os trocadores são 80% mais econômicos que qualquer equipamento elétrico convencional. Conforme Armando, em 40 horas uma bomba de calor eleva em 10 graus a temperatura da água (no outono ou na primavera). “Na época da meia estação, é preciso três a cinco horas de funcionamento para manter a piscina aquecida.”

O inverno é o período mais crítico para os trocadores de calor. “O equipamento não é tão rentável quanto o gás, que aquece igualmente a água, tanto no inverno como no verão”, compara. “O aquecedor a gás é o único que não depende de fatores externos. Mantém a temperatura escolhida faça sol ou chuva”, define Fabiano Ciccala, consultor de piscinas da Comgás. A empresa tem dado um incentivo grande para condomínios que compram o equipamento.

O síndico pode escolher uma rede de empresas especializadas para a venda e instalação do aquecedor (pertencentes ao programa Qualinstal) e a Comgás reembolsa ao condomínio uma parte do valor gasto no equipamento. “Hoje temos mais de 1700 condomínios em São Paulo com piscinas aquecidas a gás. Queremos que esse conforto torne-se acessível para todos os condomínios”, frisa o consultor, completando que o custo de manutenção preventiva do equipamento é de cerca de R$100 reais por ano.

Já o aquecimento solar encontra impedimentos para ser instalado em condomínios prontos. “O aquecedor solar deve ser contemplado no projeto do edifício, porque é necessária uma área igual à da piscina para os coletores solares. Pode ser utilizada, por exemplo, a cobertura das garagens ou da churrasqueira”, exemplifica Marcelo Mesquita, gestor do Dasol - Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento). Especialmente em São Paulo, é necessário que o aquecimento solar conte com um backup. “Costuma-se combinar as bombas de calor ou o aquecimento a gás com o solar, prevendo os dias que não são ensolarados”, diz.

O engenheiro Armando completa que, qualquer que seja o tipo de aquecimento utilizado, alguns fatores colaboram com a perda de calor da água, tais como posicionamento da piscina, vento incidente, se é ou não coberta e se é utilizada capa protetora. “O uso da capa proporciona economia média de 30% do combustível utilizado, seja gás ou energia elétrica.” Uma recomendação importante: optar apenas por aquecedores apropriados para piscinas. “A água da piscina tem características físicas e químicas diferentes da água do banho. Também deve ser escolhida uma empresa idônea para proceder a instalação”, arremata. 

 

 
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