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Somos reféns dos nossos funcionários?
Ao longo dos anos constatei em diversos condomínios a inversão da hierarquia, a disputa de forças dentro da equipe em simbiose com os condôminos.
Não é o caso de citarmos o alto risco ao fracasso, o jogo é o próprio fracasso.
Ocorre quando Condôminos-inseguros desejam poder, informações ou desestabilizar outrem e aliam-se ou pensam que estão usando os funcionários para os fins que almejam.
Também incluo nesse texto aqueles Condôminos com necessidade de se sentirem queridos e/ou reconhecidos pelos funcionários como os protetores deles.
Há os Condôminos que querem se aproveitar dos funcionários do condomínio para consertos domésticos, pagando quase nada.
São atitudes sem ética e com um potencial explorador incrível, lembrando a nódoa escravagista que a nossa humanidade carregará pelos séculos. Essa forma operandi prejudica o resultado do conjunto, criando um resultado de difícil definição; poderia usar o nome “Leviatã” quando Thomas Hobbes cria uma figura mitológica para exemplificar o Estado, nesse caso, plagiarei somente parte da figura para exemplificar o resultado confuso dessas ações.
A outra parte dessa figura eu formarei a partir da conhecidíssima obra de Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”, onde a frase “os fins justificam os meios” praticamente substituiu o título da obra.
Enfim temos uma figura épica, mitológica bastante complexa que exemplifica os resultados das ações listadas acima.
No caso um Administrador diante desse imbróglio, a única ação seria a demissão de boa parte da equipe e alguns Condôminos, implementando uma nova ordem.
Essas teorias são interessantes nos livros, mas dificílima aplicação na prática.
Em primeiro lugar no nosso Direito Civil os Condôminos não podem ser “demitidos” do Condomínio, há multas para o Condômino que pratica atos antissociais e em casos extremos com provas adquiridas legalmente, o Condomínio, representado pelo Síndico, pode requerer em juízo a expulsão. Mas a legislação deixa claro: “extremos”. Não é o caso que operamos nesse texto.
A equipe. Pois é, inicia-se o jogo político no Condomínio. Muitas vezes demitir um empregado resulta entre os Condôminos uma batalha de egos e poder de influencia sobre os demais.
Impor a melhor forma de Gestão está fora de cogitação para os profissionais de Gestão de Condomínios, resta à persuasão.
E ajam doses e mais doses de paciência. Sem dúvida, esse profissional deve estar muito motivado.
Na persuasão devemos focar a razão, as atitudes éticas, as consequências negativas de uma equipe desestruturada, indisciplinada, antiprofissional, fofoqueira/intrigueira e tendenciosa.
Os condomínios onde os Condôminos não apoiam o Síndico ou a figura do Administrador estão fadados à queda da qualidade de vida no seu interior. O valor e a liquidez dos imóveis sofrerão reflexos.
E tudo pela vaidade de poder? Pela arrogância do eu posso mais que meu vizinho?
Longe de propor a solução esse texto tem por objetivo trazer a reflexão de uma realidade que assola condomínios de todo o País, com características de pandemia. É suficiente chamar a lembrança, as Assembleias Condominiais sempre palcos para exemplificações das arestas e palavras cruentas trocadas entre vizinhos.
Roger Mann.
Sócio proprietário da RM Consultoria Condominial
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