|
matérias
Gestor de conflitos
A Coluna Emprego apresenta o síndico profissional: uma carreira que cresce na mesma velocidade da expansão imobiliária do Rio.
Uma atividade que cada vez menos gente tem tempo para desempenhar. Ser síndico exige paciência e dedicação e, para a maioria das pessoas, essas duas qualidades se esgotam depois de um dia inteiro de trabalho. Não é à toa que o Dia do Síndico é comemorado no mesmo Dia de São Jorge. É preciso ser guerreiro para enfrentar, além dos próprios problemas, os problemas dos outros. Então, surgiu o síndico profissional, uma carreira que cresce na mesma velocidade da expansão imobiliária do Rio. Gente que se dedica somente a resolver problemas como vazamentos, educação dos porteiros, reclamação de vizinhos e, às vezes, a administrar até orçamentos milionários.
Trezentos e vinte apartamentos e mais de mil moradores. Esse é o tamanho da empresa que seu Salatiel Pereira administra há dez anos. O Policial Militar aposentado recebe hoje, como síndico, três salários mínimos e cuida de uma equipe com 35 funcionários. O supervisor Roberto Marques é uma espécie de filtro: os problemas chegam primeiro a ele.
"O morador vem sempre a mim, e eu procuro dialogar para resolver o problema. Se for muito difícil, o que é raro, aí sim eu chamo seu Salatiel", conta Roberto.
Reclamações como a de dona Jandira, que acabou se queixando para o próprio síndico.
"O morador, além de ser o cliente para o qual trabalhamos e temos que prestar o melhor serviço, é nosso patrão. Então, nós temos que trabalhar com essa visão. Porque qualquer reclamação que ele faça não é por ser inconveniente ou chato, é porque ele é uma pessoa que está querendo nos ajudar a melhorar", diz seu Salatiel.
É uma atividade que poucos querem assumir. E talvez por esse motivo venha se profissionalizando ao longo dos anos. Na maior administradora do Rio, 12% dos condomínios têm síndicos profissionais. Uma carreira em ascensão.
A média salarial, em um prédio pequeno, é de R$ 1,7 mil. Roger Mann era gestor de um condomínio há oito anos. Hoje administra cinco. Visita cada um deles cerca de três vezes por semana e tem uma visão empresarial do trabalho. "Eu busco pessoas qualificadas no mercado, treino, reciclo e aperfeiçôo. Dessa forma, a equipe fica mais produtiva, o que diminui minhas horas em cada condomínio", diz.
Roger explica que o síndico precisa ter paciência, disponibilidade e gostar de se relacionar com as pessoas. É um gestor de conflitos. Por isso, no condomínio onde ele mora a função é de outra pessoa. "Minha casa é um lugar de repouso e tranqüilidade. Eu quero me dar bem com meu vizinho. Se tiver algum problema, é só chamar o síndico", brinca.
Fonte:
http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL134974-9097,00.html
|
 |